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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Perigo quase invisível

Perigo quase invisível

Muitas vezes ignorados, mas presentes nas atividades cotidianas dos canteiros, substâncias e compostos químicos podem penetrar no organismo por via respiratória, pele e mucosas, causando danos à saúde


Reportagem: Juliana Nakamura

Marcelo Scandaroli


Presentes em tintas, solventes, produtos de impermeabilização, adesivos, cimentos e em uma infinidade de materiais, os agentes químicos são substâncias, compostos ou produtos cujas minúsculas partículas são capazes de penetrar no organismo humano na forma de poeiras, fumos metálicos, gases, vapores, etc.

As consequências mais comuns do contato com essas substâncias são doenças de pele e respiratórias. Uma das mais graves é a silicose, doença pulmonar provocada pela inalação de poeiras minerais presentes na manipulação, quebra ou corte de materiais como areia, argamassa, azulejo, brita, cerâmica, concreto e tijolos. Dependendo do material ao qual a pessoa é exposta, bem como do tipo e tempo de contato, outros problemas ainda mais sérios podem acontecer, de intoxicações a lesões no sistema nervoso central ao câncer.

"Infelizmente ainda nos deparamos com muitos atos de negligência aos riscos provocados pelos agentes químicos", comenta Andreia Kaucher Darmstadter, superintendente do departamento de Segurança do Trabalho do Serviço Social da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Seconci- MG). Ela explica que isso se deve, em grande parte, ao fato de os danos provocados nem sempre serem notados imediatamente.

Medidas de prevenção
Andreia lembra que todos os empregados de uma obra, antes do início das atividades, devem ser submetidos a curso mínimo de seis horas visando a garantir a segurança. Este treinamento deve passar instruções e medidas a serem adotadas para proteção dos trabalhadores quando houver exposição a agentes químicos.

Além disso, reuniões periódicas acompanhadas pelos profissionais de segurança são importantes para disseminar o conhecimento sobre riscos dos agentes químicos. "É fundamental haver programa com medidas de controle a serem adotadas quando, em qualquer fase da obra, os riscos detectados ultrapassarem os valores limites das normas", diz Andreia.

Armazenamento
Muita cautela deve ser adotada no armazenamento de produtos químicos. Aqueles que serão utilizados por longo período de tempo devem ser armazenados corretamente no almoxarifado (devidamente identificados e fechados), conforme orientações do fabricante. Além disso, produtos tóxicos e perigosos precisam ser mantidos sobre áreas impermeáveis, capazes de reter eventuais vazamentos. Da mesma forma, materiais finos e pulverulentos devem ser estocados cobertos, ao abrigo do vento.

Os equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas, botas, óculos e máscaras respiratórias, devem ser sempre utilizados. Eles evitam, por exemplo, a exposição à poeira nas atividades de peneiramento da areia, polimentos e cortes de concretos e pedras, trabalhos com gesso, serviços de acabamentos e na limpeza. Também protegem contra a absorção de produtos tóxicos pela pele, que podem causar desde dermatites até intoxicação.

SINALIZAÇÃO 
A sinalização do ambiente de trabalho também é indispensável para alertar sobre riscos e a necessidade de utilização dos equipamentos de proteção.

TheAllPhoto/Shutterstock/Bakelyt/Shutterstock


Sinais de obrigação: desenhos brancos sobre fundos azuis em placa de formato circular. Utilizados para indicar obrigatoriedade de uso de EPI. São usados, por exemplo, para lembrar a necessidade de uso de máscaras de respiração e devem ser colocados próximos às betoneiras, a recintos fechados de pintura e de aplicação de gesso.
Sinais de perigo: cartaz ou placa com desenho preto em fundo amarelo. Usado para indicar situações de atenção, precaução, verificação ou atividades perigosas, como no acesso aos locais de trabalho onde substâncias tóxicas e inflamáveis são utilizadas.


INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA
As empresas que fornecem produtos químicos são obrigadas a apresentar as Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQs), que são fonte de consulta de dados sobre sua composição e manuseio de forma a garantir a saúde do trabalhador.

Também beneficiam o meio ambiente ao trazer informações ecológicas sobre descarte do material e da embalagem. Em hipótese alguma um produto químico deve ser recebido em canteiro sem acompanhamento de sua FISPQ.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS) que padroniza as FISPQs internacionalmente. No Brasil, a Norma Regulamentadora 26 (NR 26), revisada em maio de 2011, estabeleceu a obrigatoriedade da adaptação das FISPQs ao GHS a partir de 1° de junho de 2015 para misturas químicas.

Antecipando-se a essa determinação, algumas empresas da construção civil já disponibilizam as FISPQs atualizadas. A Weber Saint-Gobain, por exemplo, já disponibiliza as FISPQs de suas argamassas, de acordo com as novas normas.

Confira na versão online dessa reportagem, em www.equipedeobra.com.br, como é a FISPQ do produto "Reformas Rolado Quartzolit", da Weber Saint-Gobain.

PRINCIPAIS AGENTES DE RISCO

Fotos: Marcelo Scandaroli Poeiras metálicas
Quando: 
durante o corte de vergalhões
Riscos:
 doenças do sistema respiratório
Como evitar:
 uso de máscaras ou equipamento de proteção respiratória, óculos e luvas

Poeiras alcalinas
Quando:
 manipulação e transporte de cal e cimento
Riscos: 
doenças pulmonares crônicas, dermatites, urticária, conjuntivite, inchaço das membranas
Como evitar:
 uso de máscaras ou equipamento de proteção respiratória, óculos e luvas
 Fotos: Marcelo Scandaroli

Fotos: Marcelo Scandaroli Poeiras minerais
Quando: 
corte de rochas minerais, carregamento e descarregamento de areia, corte de revestimentos e telhas cerâmicas
Riscos:
 fibroses, bronquite, asma e câncer
Como evitar: 
uso de equipamento de proteção respiratória, óculos e luvas. A realização de cortes a úmido ajuda a evitar a dispersão da poeira

Poeiras vegetais
Quando:
 corte e lixamento de madeira
Riscos: 
rinite alérgica e adenocarcinomas
Como evitar:
 uso de máscaras ou equipamento de proteção respiratória, óculos e luvas
 Fotos: Marcelo Scandaroli

Fotos: Marcelo Scandaroli Fumos metálicos
Quando:
 operação de corte e soldagem a quente
Riscos:
 doença pulmonar obstrutiva, febre dos fumos metálicos e intoxicação
Como evitar:
 uso de equipamento de proteção respiratória, óculos, luvas e botas

Produtos químicos
Quando:
 manipulação de ácido muriático e clorídrico, aguarrás, argamassas, desmoldantes, primer, resinas, thinner, tintas, vernizes, etc.
Riscos: 
dermatite de contato, intoxicações, reações inflamatórias na pele e nas vias respiratórias superiores, lesões na mucosa dos olhos, câncer, lesões no sistema nervoso central
Como evitar:
 uso de equipamentos de proteção obrigatórios, como luvas, óculos e máscaras ou equipamento de proteção respiratória
 Fotos: Marcelo Scandaroli

Fotos: Marcelo Scandaroli Gases, névoas e vapores
Quando: 
operações de corte e soldagem a quente, pintura com pistola, manuseio de produtos químicos que podem evaporar quando expostos à temperatura ambiente
Riscos: 
efeitos asfixiantes (dor de cabeça, náuseas, sonolência, convulsões, coma e morte), efeitos irritantes (irritação das vias aéreas superiores, pele e mucosa dos olhos), danos ao sistema nervoso, a diversos órgãos do corpo e ao sistema formador de sangue. Aumento da probabilidade de asma ocupacional
Como evitar: 
uso de equipamentos de proteção obrigatórios, como luvas, óculos e equipamento de proteção respiratória

Fonte: Adaptado de "Segurança Química na Indústria da Construção", Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro).


http://www.equipedeobra.com.br/construcao-reforma/52/perigo-quase-invisivel-muitas-vezes-ignorados-mas-presentes-nas-267864-1.asp

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Como locar andaime fachadeiro



Edição 135 - Outubro/2012

Como locar andaime fachadeiro

Equipamento deve atender aos requisitos da NR-18 e da NBR 6494, além de conter nas peças a identificação do fabricante, tipo, lote e ano de fabricação

Juliana Nakamura

Marcelo Scandaroli
Os trabalhos em superfícies verticais requerem dispositivos especiais que deem mobilidade ao trabalhador, proporcionando bons índices de produtividade sem comprometer a segurança. O andaime fachadeiro busca atender essa demanda. O equipamento é indicado para a realização de serviços de alvenaria e acabamentos em fachadas de edifícios residenciais e comerciais. Também pode ser utilizado na manutenção em fachadas, na indústria e em obras de infraestrutura como, por exemplo, na montagem de ferragens e fôrmas de concreto.

Esse tipo de andaime tem como principal característica contar com painéis de largura e altura adequadas para o trânsito de pessoas e materiais por toda a fachada. Dessa forma o operário tem acesso a toda extensão da fachada sem precisar passar de uma torre individual de andaime para outra.

Especificação
O mercado oferece uma ampla variedade de andaimes fachadeiros. O mais usual é o andaime fachadeiro modular, composto por painéis metálicos simples e/ou com escada tipo marinheiro acoplada, diagonal X de travamento, guarda-corpo horizontal, barras de ligação, pisos metálicos e/ou elementos horizontais que servem para suportar o piso em madeira, além de escada interna com alçapão.

Há também os fachadeiros multidirecionais, que são compostos por postes com rosetas e/ou estribos multidirecionais, travessa horizontal de travamento com engate e pinças, travessa diagonal (vertical e horizontal) com engate e pinças, piso metálico e/ou apoios para forração em piso de madeira, além da opção de escada interna. 

Esse andaime é mais utilizado em obras de infraestrutura e industriais. Além disso, tem custo de venda e locação superior ao do andaime fachadeiro modular.

Para Ubiraci Espinelli Souza, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e diretor da Produtime, o andaime fachadeiro pode ser boa opção tanto na construção de um sobrado quanto de um edifício. Mas ele é mais vantajoso quando o seu tempo de permanência na obra não é muito longo. "Se o edifício é muito alto, a estrutura montada no primeiro andar pode ficar ociosa muito tempo, o que eleva o custo de locação. Nesse caso, o balancim torna-se a melhor opção", diz Espinelli. Ele lembra que, ao programar o uso desse tipo de equipamento, deve-se levar em conta seu tempo de montagem. De forma geral, para uma estrutura de 100 m² são necessários dois homens e um dia de trabalho.

Cotações de preços e fornecedores
Acessórios, metragem e complexidade do projeto definem o preço do andaime fachadeiro. Normalmente esses equipamentos são alugados por metro quadrado de fachada, mas há projetos específicos considerando interferências e soluções técnicas que podem ser cobradas. Nesse caso, o preço passa a ser global. É possível encontrar empresas que alugam e vendem andaimes fachadeiros em todo o Brasil. Um critério para avaliar a procedência de uma fornecedora é checar se os equipamentos que ela oferece correspondem às normas de fabricação, como a NBR 6494.

No ano passado, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou uma portaria exigindo que o mercado deixe de utilizar painéis, tubos, pisos e contraventamentos dos andaimes sem identificação do fabricante e referência do tipo, lote e ano de fabricação, tudo exposto no corpo do equipamento. Segundo a portaria, essas gravações devem constar "de forma aparente e indelével" nas partes dos andaimes. 

No momento da contratação é importante que fique bem claro o que o fornecedor está oferecendo e se a contratação inclui montagem, bem como a equipe de técnicos que irá prestar auxílio na obra.

Logística
O transporte do equipamento deve ser acordado previamente em contrato Quando de responsabilidade da locadora, é entregue no endereço indicado, mediante nota fiscal e checklist de peças. Quando contratado frete à parte, duas verificações são necessárias: uma na retirada das peças no locador e outra na chegada no canteiro de obras. O armazenamento, se necessário, deve ser feito em local seco, coberto e protegido de intempéries. Vale lembrar que as locadoras costumam cobrar multas por avarias decorrentes do mau uso dos equipamentos.

Cuidados de execução
Andaimes fachadeiros têm montagem simples. Mas é importante que ela seja precedida de planejamento e acompanhada de cuidados para garantir a segurança dos trabalhadores. A área sob a plataforma de trabalho, por exemplo, precisa ser devidamente sinalizada e delimitada, sendo proibida a circulação de trabalhadores dentro daquele espaço.

De acordo com a NR-18, os equipamentos jamais devem receber cargas superiores às especificadas pelo fabricante. A carga deve ser distribuída de modo uniforme, sem obstruir a circulação de pessoas, e deve ser limitada pela resistência da forração da plataforma de trabalho. Além disso, a movimentação vertical de componentes e acessórios para a montagem e/ou desmontagem do andaime deve ser feita por meio de cordas ou por sistema próprio de içamento.

As boas práticas relacionadas à montagem de fachadeiros preveem, ainda, que os montantes tenham seus encaixes travados, assim como os painéis e as peças de contraventamento. Os andaimes fachadeiros precisam dispor, ainda, de proteção com tela de arame galvanizado ou material de resistência e durabilidade equivalentes, desde a primeira plataforma de trabalho até pelo menos 2 m acima da última.

ENTREVISTA - GIOVANI PONS SAVI

Segurança em altura

Quais são os principais riscos aos quais os trabalhadores estão expostos no uso de andaimes fachadeiros?

O principal risco no uso de qualquer tipo de andaime é a queda do trabalhador ou de materiais. Para minimizar esses riscos é importante que o equipamento seja devidamente montado, assim como são obrigatórios o uso do cinto de segurança tipo paraquedista e o cumprimento das determinações das NRs 18 e 35 sobre trabalho em altura. As condições climáticas também devem ser avaliadas pois ventos fortes e chuvas diminuem as condições de segurança e potencializam os riscos de acidentes do trabalho.

A que itens a construtora deve estar atenta na hora de contratar o equipamento?
A empresa deve checar se há responsável técnico pelo dimensionamento do andaime e se o mesmo atende à NR-18 e à NBR 6494.
acervo pessoal
 
'As condições climáticas devem ser avaliadas pois ventos fortes e chuvas diminuem as condições de segurança e potencializam os riscos de acidentes do trabalho'
Giovani Pons Savi, consultor em segurança no trabalho
 
Quais são os principais cuidados que devem ser tomados na montagem?
As montagens devem ser precedidas de projeto e acompanhadas de sua respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Além disso, o fabricante deve fornecer manual que contenha no mínimo: a) especificação de materiais, dimensões e posições de ancoragens e entroncamentos; e b) detalhes dos procedimentos sequenciais para as operações de montagem e desmontagem. Entre outros cuidados, também deve ser observado se todos os trabalhadores são qualificados e receberam treinamento específico para o tipo de andaime em operação.

NORMAS TÉCNICAS

● NR-18 (itens 18.15.19 a 18.15.25
● NR-35 Trabalho em Altura
● ABNT NBR 6494:1991 - Segurança nos Andaimes


Colaboração:
Ribamar Gomes
AFT - STRE-PB

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Curso de MESTRE DE OBRAS



A implantação do curso de MESTRE DE OBRAS se deu em resposta as demandas identificadas pelo setor, diante do crescimento apresentado pelo segmento e a necessidade crescente de profissionais qualificados, visando à diminuição da escassez de mão de obra. O curso é estruturado na metodologia, formação por competência do qual foi elaborado conforme o perfil profissional exigido pelo mercado. O curso proporcionará aos seus participantes o desenvolvimento de competência, habilidades e conhecimentos teóricos e práticos que serão aplicados na prática profissional.
Tudo isso com o respaldo de uma instituição com sete décadas de trabalhos voltados para a EDUCAÇÃO PROFISSIONAL e realizado por um Centro com mais de trinta anos de experiência em cursos voltados para a área da Construção Civil.
Para informações sobre valor de investimento, forma de pagamento, carga horária e data de início do curso, entre em contato com Adriano, no Centro de Educação Profissional da Construção Civil, localizado em Bayeux, através do telefone 2108.8700.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Seminário sobre construção civil será realizado na PB


Seminário sobre construção civil será
realizado na PB




O Comitê Permanente Regional sobre as Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção Civil da Paraíba – CPR-PB vai realizar no próximo dia 8 de novembro, o 2º Seminário sobre Boas Práticas e Inovações em Segurança e Saúde na Indústria da Construção.  O CPR-PB é coordenado pelo Centro Regional da Fundacentro em Pernambuco.

O seminário visa divulgar as mudanças mais recentes no texto da NR-18, além de difundir novas tecnologias e experiências que resultaram na melhoria das condições de trabalho nos canteiros de obras.

O evento acontecerá no SESI – Centro de Atividades Pedro Franciscano do Amaral, situado à rua Rodrigues Chaves, 90, Centro – João Pessoa/PB.

Mais informações podem ser obtidas com Fábio Barbosa, pelo telefone (83) 2108-8707 ou pelo emailfabiobarbosa.senaipb@gmail.com . As inscrições serão confirmadas mediante a entrega de 1 kg de alimento não perecível no dia do evento.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

DIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL

DIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL












Parabenizamos todos os trabalhadores, bem como os empresários e sindicalistas que colaboram com o progresso de nosso país através da Indústria da Construção.
O Comitê Permanente Regional Sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção da Paraíba (CPR-PB) é uma instância que tem potencializado resultados referente à prevenção de acidentes no trabalho, através de ações solidárias empreendidas por representantes do governo, dos trabalhadores, dos empresários e de entidades e profissionais vinculados no setor.
Desta forma, não poderíamos deixar passar despercebida esta data tão importante.