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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cabos de aço


NR-18 Ilustrada



Reportagem: Juliana Martins

Esta seção apresenta detalhes da Norma Regulamentadora no 18 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção Civil (NR-18), que estabelece critérios mínimos de segurança e conforto para as instalações e serviços de canteiro

O uso dos cabos de aço em obras se dá especialmente em aparelhos de elevação e içamento e demandam cuidados visando à segurança dos trabalhadores. A resistência dos cabos depende da qualidade do material e do desgaste ao longo de sua vida útil. Para o bom uso desse elemento é preciso observar as condições corretas de utilização, armazenamento, conservação e dimensionamento. Os cabos devem ser lubrificados periodicamente.

Os cabos de aço são fixados em suas extremidades com ganchos ou laços. Os laços são formados pelo trançamento do próprio cabo. Os ganchos são acrescentados ao cabo diretamente pelos fabricantes.

É necessário verificar periodicamente as amarras e o enrolamento do cabo no tambor a fim de perceber se há deformações. Toda vez que o cabo apresentar alterações que possam comprometer sua integridade física, deve ser substituído.

FIXAÇÃO E ASPECTO EM GERAL

CONDIÇÕES E DICAS DE USO
  

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Como locar andaime fachadeiro



Edição 135 - Outubro/2012

Como locar andaime fachadeiro

Equipamento deve atender aos requisitos da NR-18 e da NBR 6494, além de conter nas peças a identificação do fabricante, tipo, lote e ano de fabricação

Juliana Nakamura

Marcelo Scandaroli
Os trabalhos em superfícies verticais requerem dispositivos especiais que deem mobilidade ao trabalhador, proporcionando bons índices de produtividade sem comprometer a segurança. O andaime fachadeiro busca atender essa demanda. O equipamento é indicado para a realização de serviços de alvenaria e acabamentos em fachadas de edifícios residenciais e comerciais. Também pode ser utilizado na manutenção em fachadas, na indústria e em obras de infraestrutura como, por exemplo, na montagem de ferragens e fôrmas de concreto.

Esse tipo de andaime tem como principal característica contar com painéis de largura e altura adequadas para o trânsito de pessoas e materiais por toda a fachada. Dessa forma o operário tem acesso a toda extensão da fachada sem precisar passar de uma torre individual de andaime para outra.

Especificação
O mercado oferece uma ampla variedade de andaimes fachadeiros. O mais usual é o andaime fachadeiro modular, composto por painéis metálicos simples e/ou com escada tipo marinheiro acoplada, diagonal X de travamento, guarda-corpo horizontal, barras de ligação, pisos metálicos e/ou elementos horizontais que servem para suportar o piso em madeira, além de escada interna com alçapão.

Há também os fachadeiros multidirecionais, que são compostos por postes com rosetas e/ou estribos multidirecionais, travessa horizontal de travamento com engate e pinças, travessa diagonal (vertical e horizontal) com engate e pinças, piso metálico e/ou apoios para forração em piso de madeira, além da opção de escada interna. 

Esse andaime é mais utilizado em obras de infraestrutura e industriais. Além disso, tem custo de venda e locação superior ao do andaime fachadeiro modular.

Para Ubiraci Espinelli Souza, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e diretor da Produtime, o andaime fachadeiro pode ser boa opção tanto na construção de um sobrado quanto de um edifício. Mas ele é mais vantajoso quando o seu tempo de permanência na obra não é muito longo. "Se o edifício é muito alto, a estrutura montada no primeiro andar pode ficar ociosa muito tempo, o que eleva o custo de locação. Nesse caso, o balancim torna-se a melhor opção", diz Espinelli. Ele lembra que, ao programar o uso desse tipo de equipamento, deve-se levar em conta seu tempo de montagem. De forma geral, para uma estrutura de 100 m² são necessários dois homens e um dia de trabalho.

Cotações de preços e fornecedores
Acessórios, metragem e complexidade do projeto definem o preço do andaime fachadeiro. Normalmente esses equipamentos são alugados por metro quadrado de fachada, mas há projetos específicos considerando interferências e soluções técnicas que podem ser cobradas. Nesse caso, o preço passa a ser global. É possível encontrar empresas que alugam e vendem andaimes fachadeiros em todo o Brasil. Um critério para avaliar a procedência de uma fornecedora é checar se os equipamentos que ela oferece correspondem às normas de fabricação, como a NBR 6494.

No ano passado, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou uma portaria exigindo que o mercado deixe de utilizar painéis, tubos, pisos e contraventamentos dos andaimes sem identificação do fabricante e referência do tipo, lote e ano de fabricação, tudo exposto no corpo do equipamento. Segundo a portaria, essas gravações devem constar "de forma aparente e indelével" nas partes dos andaimes. 

No momento da contratação é importante que fique bem claro o que o fornecedor está oferecendo e se a contratação inclui montagem, bem como a equipe de técnicos que irá prestar auxílio na obra.

Logística
O transporte do equipamento deve ser acordado previamente em contrato Quando de responsabilidade da locadora, é entregue no endereço indicado, mediante nota fiscal e checklist de peças. Quando contratado frete à parte, duas verificações são necessárias: uma na retirada das peças no locador e outra na chegada no canteiro de obras. O armazenamento, se necessário, deve ser feito em local seco, coberto e protegido de intempéries. Vale lembrar que as locadoras costumam cobrar multas por avarias decorrentes do mau uso dos equipamentos.

Cuidados de execução
Andaimes fachadeiros têm montagem simples. Mas é importante que ela seja precedida de planejamento e acompanhada de cuidados para garantir a segurança dos trabalhadores. A área sob a plataforma de trabalho, por exemplo, precisa ser devidamente sinalizada e delimitada, sendo proibida a circulação de trabalhadores dentro daquele espaço.

De acordo com a NR-18, os equipamentos jamais devem receber cargas superiores às especificadas pelo fabricante. A carga deve ser distribuída de modo uniforme, sem obstruir a circulação de pessoas, e deve ser limitada pela resistência da forração da plataforma de trabalho. Além disso, a movimentação vertical de componentes e acessórios para a montagem e/ou desmontagem do andaime deve ser feita por meio de cordas ou por sistema próprio de içamento.

As boas práticas relacionadas à montagem de fachadeiros preveem, ainda, que os montantes tenham seus encaixes travados, assim como os painéis e as peças de contraventamento. Os andaimes fachadeiros precisam dispor, ainda, de proteção com tela de arame galvanizado ou material de resistência e durabilidade equivalentes, desde a primeira plataforma de trabalho até pelo menos 2 m acima da última.

ENTREVISTA - GIOVANI PONS SAVI

Segurança em altura

Quais são os principais riscos aos quais os trabalhadores estão expostos no uso de andaimes fachadeiros?

O principal risco no uso de qualquer tipo de andaime é a queda do trabalhador ou de materiais. Para minimizar esses riscos é importante que o equipamento seja devidamente montado, assim como são obrigatórios o uso do cinto de segurança tipo paraquedista e o cumprimento das determinações das NRs 18 e 35 sobre trabalho em altura. As condições climáticas também devem ser avaliadas pois ventos fortes e chuvas diminuem as condições de segurança e potencializam os riscos de acidentes do trabalho.

A que itens a construtora deve estar atenta na hora de contratar o equipamento?
A empresa deve checar se há responsável técnico pelo dimensionamento do andaime e se o mesmo atende à NR-18 e à NBR 6494.
acervo pessoal
 
'As condições climáticas devem ser avaliadas pois ventos fortes e chuvas diminuem as condições de segurança e potencializam os riscos de acidentes do trabalho'
Giovani Pons Savi, consultor em segurança no trabalho
 
Quais são os principais cuidados que devem ser tomados na montagem?
As montagens devem ser precedidas de projeto e acompanhadas de sua respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Além disso, o fabricante deve fornecer manual que contenha no mínimo: a) especificação de materiais, dimensões e posições de ancoragens e entroncamentos; e b) detalhes dos procedimentos sequenciais para as operações de montagem e desmontagem. Entre outros cuidados, também deve ser observado se todos os trabalhadores são qualificados e receberam treinamento específico para o tipo de andaime em operação.

NORMAS TÉCNICAS

 NR-18 (itens 18.15.19 a 18.15.25
 NR-35 Trabalho em Altura
 ABNT NBR 6494:1991 - Segurança nos Andaimes


Colaboração:
Ribamar Gomes
AFT - STRE-PB

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Seminários: Elétrica Segura / Encontro Regional de Eletricistas

Para eleticistas, engenheiros, técnicos  e demais pessoas interessadas no assunto.




A Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade - ABRACOPEL realizará, no dia 30/07/2012, a partir das 13h30m, o Seminário Elétrica Segura e, no dia 31/07/2012, a partir das 08h30m, o Encontro Regional de Eletricistas, na sede do Sinduscon-JP.


Programação:

30/07/2012
13h30 - Recepção e entrega de materiais
14h00 - NR-10 - Como tratar deste assunto
14h50 - A importância da proteção coletiva e individual no serviço com eletricidade
15h40 - Intervalo
16h00 - Conexões e eletrodutos para infraestrutura de instalações elétricas, atendendo as normas da ABNT
16h50 - Proteção contra sobretensões transitórias
18h20 - Intervalo
19h10 - Termovisores - manutenção preventiva
20h00 - Qualidade da energia elétrica
21h00 - Encerramento e entrega de certificados

31/07/201209h00 - SOS AQUI - A rede social do eletricista
09h30 - Automação da instalação elétrica através de sistemas autônomos
10h20 - Intervalo
10h35 - Conexões e eletrodutos para infraestrutura de instalação elétrica, atendendo às normas técnicas da ABNT
11h25 - Proteção contra sobrecorrente - minidisjuntores
12h15 - Almoço
13h30 - A aplicação de protetores de surto nas instalações elétricas
14h20 - Intervalo
14h40 - Sistema de isolamento de cabos BT - MT
15h30 - Medição de aterramento - Terrômetro
16h20 - Aterramentos - conceitos
17h00 - Certificação da instalação elétrica
18h00 - Encerramento e entrega de certificados


INSCRIÇÕES:
Telefone: (11) 4028-5451 ou no Sinduscon c/Gizélia 3244-8655/3244-1274
E-mail: secretaria@abracopel.org.br


Inscrições 01 kg de alimento não perecível ou
01 lata de leite em pó.









--
     Gisélia Gomes
     Superintendente
     (83) 3244-8655
     (83) 9913-0012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

ALVARÁ DE CONSTRUÇÃO SÓ SERÁ LIBERADO MEDIANTE REQUISITOS DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO


 

CÂMARA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA APROVA PROJETO ESTABELECENDO QUE O ALVARÁ DE CONSTRUÇÃO
SÓ SERÁ LIBERADO MEDIANTE REQUISITOS DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO

Foi aprovado hoje (28 de junho), pela Câmara Municipal de João Pessoa, o projeto de lei da vereadora Sandra Marrocos, estabelecendo que a prefeitura só concederá       o alvará de construção quando forem apresentados os projetos de proteção coletiva contra quedas de altura, soterramentos, choques elétricos e projeção de materiais. O objetivo é que tais situações de risco sejam identificadas e prevenidas desde o início da obra, pois elas são responsáveis pela maioria dos acidentes graves e fatais na construção civil.  

A iniciativa é inovadora sob a ótica da prevenção de acidentes, pois prevê que os projetos de segurança sejam compatíveis com os projetos arquitetônico, estrutural e/ou de formas do empreendimento. A regra vale para obras públicas municipais de qualquer porte ou natureza e para empreendimentos privados com mais de                4 pavimentos ou área construída acima de 500m².

O projeto de lei foi articulado junto à parlamentar pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de João Pessoa - SINTRICOM. Para entrar em vigor, deverá ser
sancionado pelo prefeito de João Pessoa.  

A vereadora Sandra confirmou presença na próxima reunião ordinária do CPR-PB, dia 10 de julho, às 9 da manhã, no SINDUSCON-JP, para socializar este importante
projeto de lei voltado à segurança e saúde no trabalho.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cinto de segurança Norma NBR 15.836-2011


Cinto de segurança Norma NBR 15.836-2011

Análise da aplicação da norma NBR 15.836: 2011-Cinto de Segurança
Cintos de Segurança Tipo Paraquedista em um Canteiro de Obras

Em diversos setores produtivos realizam- se trabalhos em altura. No mundo todo, é uma das principais causas de acidentes de trabalho.

A construção civil é um dos setores cujas estatísticas mostram um número elevado de acidentes fatais ou incapacitantes. Por isso, o uso de equipamento de segurança não é só recomendável como obrigatório sob algumas condições.

Para desempenhar atividades em altura superior a 2 m, a NR-18 e a NR-34 determinam que o trabalhador necessita utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI), que neste caso é o cinto de segurança tipo paraquedista. Essas normas definem os requisitos mínimos de desempenho deste equipamento assim como as características desejáveis e obrigatórias.

Para atender à qualidade recomendada, os cintos de segurança devem ser fabricados com materiais que garantam a resistência necessária bem como oferecer desempenho inclusive quanto aos aspectos ergonômicos.

Os requisitos exigidos para cintos de segurança (cinto abdominal e paraquedista) e para talabartes de segurança são especificados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), de acordo com a norma NBR 15.836:2011, que trata dos equipamentos de proteção individual contra queda em altura, especificamente o cinturão de segurança tipo paraquedista. A norma 15.836 substitui a norma NBR 11.370:2001, de EPI, cinturão e talabarte de segurança - especificação e métodos de ensaio.

O cinto de segurança deve obedecer às normas vigentes de utilização, manutenção e armazenamento para garantir a segurança ao profissional em caso de uma queda até a chegada de resgate.

Este artigo tem como objetivo analisar os cintos de segurança que estão sendo utilizados pelos trabalhadores em um canteiro de obras dentro de uma instituição pública de ensino, verificando o atendimento ou não aos itens da norma NBR 15836: 2011.

Revisão bibliográfica
O trabalho em altura é caracterizado pela distância do solo em que o trabalhador desempenha a atividade e requer uma combinação de movimentos atléticos, que exigem controle mental e a aplicação de segurança, e métodos utilizados no alpinismo, quando o trabalhador é suportado por cordas, conforme a (figura 1) (Redondo, 2005).

Segundo Redondo (2005), os pontos mais importantes a serem levados em consideração sobre trabalhos em altura são qualidade e segurança, logo a capacitação dos profissionais dessa área é fundamental. As empresas também devem seguir as normas vigentes, porque são solidárias quanto à responsabilidade em relação a possíveis acidentes e respondem administrativamente, civil e penalmente pelo dano.

Quando este tipo de trabalho é realizado, o maior risco para a pessoa é de queda de nível, podendo levar à fatalidade, perda de dias trabalhados e prejuízos à empresa. Segundo a Revista Proteção (2009), no Brasil foram identificados 314.240 Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT), onde cerca de 17,6% correspondem a quedas, e destas, 65,5% correspondem a quedas com diferença de nível, conforme dados obtidos no Ministério do Trabalho e Emprego, no período de janeiro de 2005 a maio de 2008.

Diante deste problema, inúmeros são os estudos de ergonomia para o desenvolvimento e melhoria em equipamentos de trabalho, que ofereça segurança para trabalhos em altura. De acordo com Iida (2005) a ergonomia estuda tanto as condições prévias como as consequências do trabalho e todas as interações que ocorrem - homem, máquina e ambiente - durante a realização desse trabalho.




Em 1960 foi desenvolvido o primeiro cinto de segurança para trabalhos em altura, na Alemanha. Era composto por dois anéis para as pernas e dois para as costas. Posteriormente, um tipo de cinto mais confortável, colocado na altura do estômago, foi criado por um austríaco (Schubert, 2001). A figura 2, apresentada no segundo projeto de norma ABNT/ CB-32 32:004.03-003 (2010), mostra cinturões de segurança desse modelo.


O cinto serve para unir o trabalhador à corda, devendo se ajustar adequadamente ao usuário, permitir liberdade de movimentos e ser seguro para a atividade que será realizada. O que garante a qualidade de um cinto de segurança é a reunião das seguintes características (Redondo, 2005):

■ Ponto de ancoragem robusto e confiável
■ Menor número de costuras possível 

■ Sistema de regulagem cômodo e rápido
■ Cintas ou anéis para levar pendurado o material a ser utilizado

Conforme Paladini (2004), a Organização Europeia de Controle da Qualidade conceitua a qualidade como sendo: "a condição necessária de aptidão para o fim a que se destina". Neste sentido, é importante que os cintos de segurança sejam avaliados e testados, para a certificação de que as normas regulamentadoras estão sendo cumpridas, e a segurança de seu usuário, garantida.

Assim, conforme Schubert (2001), os cintos deverão ser submetidos a testes de qualidade, a cargas de 16 kN e ainda não soltar pontos de costura ou gerar algum dano que coloque seu usuário em risco. Ainda segundo esse autor, na prática, a maior tensão admissível causada pela queda de uma pessoa é de 7,5 kN.

A maioria dos cintos de segurança é multifuncional, projetados para prevenção de uma possível queda ou ainda para adequar o posicionamento do trabalhador durante a atividade (figura 3). A NBR 15836 (2011) define o cinto de segurança para trabalho em altura, tipo paraquedista, como "componente de um sistema de proteção contra queda, constituído por um dispositivo preso ao corpo destinado a deter as quedas".

Conforme abordado, a utilização do cinto de segurança é de fundamental importância na preservação do profissional em atividades de altura. Entretanto, é necessário que estes sejam produzidos de acordo com as normas vigentes. Na continuidade deste artigo apresenta-se uma análise dos cintos de segurança tipo paraquedista.

Metodologia

Este artigo pretende avaliar os cintos de segurança que são utilizados pelos trabalhadores da construção civil, com o objetivo de verificar se atendem às normas vigentes. Para tanto foi realizada uma pesquisa exploratória, quantitativa e com a utilização de checklist em uma instituição de ensino público no Sul do Brasil. Essa instituição está em fase de obras para ampliação de seu campus, tendo um grande contingente de trabalhadores da construção civil, sendo em média 80 funcionários, entre eles um mestre de obras, pedreiros e carpinteiros. Estes trabalhadores estão na maior parte do tempo realizando trabalhos em altura, necessitando, para isso, utilizar EPIs, inclusive o cinto de segurança.

Para coleta de dados foram utilizadas três amostras de cintos de segurança tipo paraquedista de diferentes fabricantes para a análise. Estas amostras foram retiradas do almoxarifado do canteiro de obras e foram denominadas pela cor predominante, sendo: Amostra 1 (amarela), Amostra 2 (verde) e Amostra 3 (cinza).

Segundo De Cicco e Fantazzini (2003), o checklist (questionário) é "um dos meios mais frequentes para avaliação de riscos". O principal objetivo do checklist é identificar os riscos por uma avaliação padrão em uma atividade em andamento, sendo o nível de detalhamento determinado de acordo com a necessidade ou risco da atividade.

A pesquisa foi realizada pela aplicação de um checklist, conforme o quadro 1, de verificação de atendimento da NBR 15.836 - Equipamento de Proteção Individual Contra Queda de Altura - Cinturão de Segurança Tipo Paraquedista, tendo como requisito 47 itens, organizados em seis grupos, sendo:

■ 4.1 - Desenho e ergonomia

■ 4.2 - Materiais de construção

■ 4.5 - Resistência à corrosão por exposição à névoa salina

■ 6 - Marcação

■ 7 - Manual de Instruções

■ 8 - Embalagem

As amostras foram coletadas aleatoriamente, pois são de fabricantes, datas de fabricação e tempo de utilização diferentes. Os resultados obtidos foram agrupados em forma de tabelas, gráficos e figuras.


Resultados e discussões

Os itens avaliados e os resultados obtidos pela aplicação do checklist elaborado a partir da NBR 15.836 referem-se a desenho e ergonomia (4.1); materiais e construção (4.2); resistência à corrosão por exposição a névoa salina (4.5); marcação (6); o manual de instruções (7) e a embalagem (8), e estão apresentados no quadro 2.

Quanto ao Grupo 4.1, referente a desenho e ergonomia, na Amostra 1 (amarela), observou-se que a fita da perna direita possuía uma fivela de ajuste, e a fita da perna esquerda possuía uma adaptação sem fivela de ajuste. Provavelmente havia sido realizado um remendo, pois estava com cores diferentes (figura 4).

Foi possível avaliar também que não havia ajuste no suspensório, o que poderia ocasionar uma posição de detenção de queda incorreta, ou seja, impossibilitaria o usuário de ficar em uma posição confortável até ser socorrido. O ajuste da fita secundária também se mostrou ineficiente, pois permitia um posicionamento que poderia estrangular o trabalhador, conforme mostrado na figura 5.

Na amostra 2 (verde), observou- -se a existência de fivelas de regulagem das fitas das pernas, porém estas não permitiam travamento, além de serem desconfortáveis ao usuário quando ajustado. Este fato era provocado porque uma das pontas da fivela exercia pressão na perna do usuário (figura 6a).

Na posição de detenção de queda, constatou-se que o indivíduo permanecia em uma situação confortável até ser resgatado, porém a fita secundária, que mantém o suspensório no lugar, pode correr e machucá-lo, e se estiver próximo ao pescoço, até estrangulá- lo (figura 6b).


Na Amostra 3 (cinza), observou- -se a inexistência de fivelas para a regulagem das fitas das pernas, porém este modelo pode ser fornecido em vários tamanhos, proporcionando uma melhor adaptação ao usuário.

Na posição de detenção de queda (figura 7a), constatou-se que o usuário permanecia em uma posição confortável na espera de ajuda, porém a fita secundária que mantinha o suspensório no lugar poderia correr e machucar o usuário. Caso estivesse próximo ao pescoço poderia até estrangulá-lo (figura 7b).

Na análise do Grupo 4.1, desenho e ergonomia, a Amostra 1 (amarela) atendeu a 17% do total dos seis itens verificados, a Amostra 2 (verde) atendeu a 83% e a Amostra 3 (cinza) atendeu a 83%, conforme o gráfico 1.

Em relação ao Grupo 4.2, referente ao material e construção, nas Amostras 1 e 2, observou-se que a matéria- -prima era o polietileno, cuja utilização para essa finalidade é proibida pela norma regulamentadora citada. Já na Amostra 3, observou-se que a matéria- prima utilizada - náilon e poliéster - atendem às especificações da norma.


Na análise do Grupo 4.2, material e construção, a Amostra 1 (amarela) atendeu a 38% do total dos 13 itens verificados, a Amostra 2 (verde) atendeu a 46% e a Amostra 3 (cinza) atendeu a 62%, conforme o gráfico 2.

Na análise realizada do Grupo 4.5, resistência à corrosão, foi possível identificar que a Amostra 1 (amarela) apresentava pontos de corrosão acentuada; as Amostras 2 e 3 estavam em perfeito estado, sem sinais de corrosão. Quanto ao atendimento da norma, do Grupo 4.5, resistência à corrosão, a Amostra 1 (amarela) não atendeu e as Amostras 2 (verde) e 3 (cinza) estavam de acordo com o solicitado.

Em relação ao Grupo 6, "marcação", na análise da Amostra 1 (amarela), verificou- se a existência de etiqueta de identificação, porém estava ilegível. Nas Amostras 2 (verde) e 3 (cinza), constatou- se a existência de etiquetas com as informações especificadas pela norma, como: fabricante, logotipo, Certificado de Aprovação (CA), data de fabricação, lote e demais informações sobre a utilização, atendendo à norma NBR 11.370 (figuras 8 e 9).

Na análise do Grupo 6, "marcação", a Amostra 1 (amarela) atendeu a 14% do total dos 7 itens verificados; a Amostra 2 (verde) atendeu a 43%, e a Amostra 3 (cinza) atendeu a 43%, conforme o gráfico 3.

Quanto à marcação, vale ressaltar que é estabelecido na norma NBR 15836: 2011 a necessidade de conter no cinto um pictograma (figura 10). O pictograma tem por objetivo informar que os usuários devem ler o manual antes de utilizar o cinto.

Na análise do Grupo 7, manual de instruções, das três amostras analisadas não foram localizados os manuais de instrução dos cintos de segurança, item importante para orientação de uso e conservação desses equipamentos.

Em relação ao Grupo 8, embalagem, também não foram localizadas as embalagens de acondicionamento das três amostras no canteiro de obras, portanto está em desacordo com a especificação da norma.

Na análise dos quatro grupos, referentes aos itens 4.1, 4.2, 4.5, 6, 7 e 8, a Amostra 1 (amarela) atendeu a 16% do total dos 47 itens verificados, a Amostra 2 (verde) atendeu a 35% e a Amostra 3 (cinza) atendeu a 40%, conforme o gráfico 4.

Conclusões

O estudo realizado demonstrou que os cintos de segurança tipo paraquedista utilizados na referida obra não atendem à norma NBR 15.836 e devem ser prontamente substituídos. Constatou-se que na Amostra 1 (amarela), 16% dos itens verificados foram atendidos, assim como na Amostra 2 (verde), 35% dos itens atenderam, e na Amostra 3 (cinza), 43% foram atendidos.

Atenção também deve ser dada ao armazenamento e embalagem dos cintos de segurança, manual de utilização e controle da vida útil, garantindo assim a segurança do trabalhador. Com isto a fiscalização referente ao atendimento das Normas Regulamentadoras deverá estar em sintonia com as normas ABNT para qualquer tipo de equipamento de proteção individual.

NBR 15836:2011 - Equipamento de Proteção Individual Contra Queda de Altura - Cinturão de Segurança Tipo Paraquedista. 2o Projeto CB-32 (Comissão de Estudo de Cinturão de Segurança do Comitê Brasileiro de Equipamentos de Proteção Individual).Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), 2010.

Fonte de pesquisa:
Segurança em Altura. Altiseg. Disponível em:www.altiseg.com.br/altiseg/php/produtos.php?linha=6&tipo=1. Acessado em: 20/06/2011.

Cartilha de Segurança, Seleção e Utilização de EPI para Trabalho em Altura. Curitiba: Altiseg, 2011.

Tecnologias Consagradas de Gestão de Riscos. Edição comemorativa 25 anos. Francesco de Cicco, Mario Luiz Fantazzini. São Paulo: Risk Tecnologia Editora, 2003.

Ergonomia: Projeto e Produção. 2a Edição Revisada e Ampliada. IIDA, Itiro. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2005.

Prevención y Seguridad en Trabajos Verticales. Jon Redondo.Madri: Ediciones Desnivel, 2005.

Desafio nas Alturas. Revista Proteção. Novo Hamburgo: no 205, p. 39-54, 2009.

Seguridad y Riesgo. Análisis y prevención de accidentes de escalada. Pit Schubert. Madri: Ediciones Desnivel, 2001.

Manual para Trabalhos em Altura. Departamento de Segurança e Medicina do Trabalho. Fabiano Viana. TST-Brinks. Campinas: Disponível em: www.segurancaetrabalho.com.br/download/trabalhos-altura.doc.

Pesquisadores vão até os canteiros avaliar as condições de manutenção dos EPIs
Revista téchne
Por:
Christiane Wagner Mainardes 
Mestrando em Engenharia Civil - UTPFR - Curitiba. 

E-mail: chriswm@terra.com.br
Maria Regina da S. O. Canonico 

Mestrando em Engenharia Civil - UTPFR - Curitiba.
E-mail: canonico@utfpr.edu.br

Roberto Serta
Mestrando em Engenharia Civil - UTPFR - Curitiba.

E-mail: roberto.serta@gmail.com
Rodrigo Eduardo Catai 

Professor do Programa de Mestrado em Engenharia Civil - UTPFR - Curitiba.
E-mail: catai@utfpr.edu.br


Fonte: Matéria extraída na íntegra do site 
http://laerciojsilva.blogspot.com/2011/10/analise-da-aplicacao-da-norma-nbr-15.html